29 dezembro 2007

Orfandade

Meu Deus,
me dá cinco anos.
Me dá um pé de fedegoso com formiga preta,
me dá um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.

Me dá a negrinha Fia pra eu brincar,
me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai,
meu pai.

Adélia Prado

23 dezembro 2007

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

17 dezembro 2007

DUETOS PERFEITOS


Voz e Violão, Romeu & Julieta, Arroz com Feijão, Eclipse do Sol & Lua, Café com Leite, Mãos Dadas, Céu e Mar, Bife com Fritas, Você e Eu, Queijos & Vinhos, Beijo na Boca, Fondue a dois, Nós a Sós...



Zélia Duncan & Paulinho Moska...
em
Carne & Osso

A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso

15 dezembro 2007

LIBERDADE

Vamos dar os pés?

Ser livre é querer ir ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúria de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritar
e só de ir
ir e chegar ao fim.

©Armindo Rodrigues

Foto e poema enviados pela amiga Ana e redescoberto nos e-mails antigos...
Obrigada, amiga, teus lindos e-mails diminuem as saudades de ti.

11 dezembro 2007

Se eu pudesse deixar algum presente a você...

Ilustração: ©Kathleen Kemly

Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento
de amar a vida dos seres humanos.

A consciência de aprender tudo
o que foi ensinado pelo tempo a fora.

Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.

A capacidade de escolher novos rumos.

Deixaria para você se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:

Além do pão, o trabalho.

Além do trabalho, a ação.

E, quando tudo mais faltasse, um segredo:

O de buscar no interior de si mesmo a resposta
e a força para encontrar a saída.

Mahatma Gandhi

Este post é dedicado ao amigo Hay,
cuja amizade é um grande presente!

10 dezembro 2007

Por Enquanto


Intérprete: Cássia Eller


Composição: Renato Russo

Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que
Alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim
Tão diferente...

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...

Mas nada vai
Conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem...

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo
De volta pra casa...(2x)

08 dezembro 2007

VERDADE

Fotografia do Amigo: ©Rogério Felício

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil,
E os meios perfis não coincidiam.
.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

A foto deste post e outros belos clicks são revelados AQUI!

05 dezembro 2007

Segue o teu destino

Fotografia: ©António Vaz

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.


©Fernando Pessoa
(Odes de Ricardo Reis)

01 dezembro 2007

Poesia

Ilustração: ©Rebecca Dautremer


Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen

26 novembro 2007

COISAS DA VIDA

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei para proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também fui rejeitado, fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas...

"Quebrei a cara" muitas vezes!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!

Mas vivi ! E ainda vivo ! Não passo pela vida.

"E você também não deveria passar."

V I V A !!!

Charles Chaplin

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24 novembro 2007

Pequenina Primavera

Ilustração: ©Rebecca Dautremer


por vezes
mesclava-se à paisagem
floria
entre ramos de papoulas
jasmins e romãs maduras.

era quase sempre
ao meio-dia
quando imóvel na piscina
tudo ao redor em si se refletia

numa estranha e colorida simbiose


Márcia Maia



Outras Publicações da Autora em Tábua de Marés e
Mudanças de Ventos

20 novembro 2007

Horizonte

Fotografia: ©Pedro Casquilho

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.

Horizonte é poema do Livro Mensagem de Fernando Pessoa

18 novembro 2007

Um apelo à paz na Terra


PÁSSARO DE LUZ

Surge no céu
Um passaro de luz
Clareando o sol
Colorindo o chão

Vem de muito além
Das estrelas
Vem semear
A paz que ele reluz

Nosso mundo abençoar

Vai tornar reais
As formas das nuvens
Mais que um simples sonho
Amanhã

Música: Bacamarte

Esta postagem é um Apelo à Paz na Terra,
iniciado pelo blogueiro Lino Resende.

Leia e participe, acessando AQUI!

15 novembro 2007

Tempo


A mim que desde a infância venho vindo
como se o meu destino
fosse o exato destino de uma estrela
apelam incríveis coisas:
pintar as unhas, descobrir a nuca,
piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempo
vão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
de mil novecentos e setenta e seis,
o céu é bruma, está frio, estou feia,
acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.

Adélia Prado

12 outubro 2007

"Não Tem Como Se Sentir Solitário Com o BLOG"

Foto: Fabrício Carpinejar

Entrevista: Fabrício Carpinejar, poeta e jornalista

O poeta e jornalista Fabrício Carpinejar criou o seu blog em 2003 como uma forma de exercício público.

- Eu queria perder aquela arrogância da gaveta. A arrogância da gaveta é eu pensar que estou pronto.

Para ele, o blog lhe oferece a liberdade da atualização e é também uma necessidade de decifrar o leitor.

DC - Como é o retorno dos leitores?

Carpinejar - É uma convivência saborosa. Tem leitores que me acompanham desde 2003 pelo blog, com seus nomes e codinomes, que eu chego a imaginar eles, como eles são. É fascinante porque eles estão fazendo um blog dentro do meu blog. Pelos comentários que eles deixam eu percebo o temperamento, o caráter, a carência, a necessidade, o que eles pensam, o que eles desejam. Não tem como se sentir solitário com o blog. Você está povoando a sua solidão, abrindo sua solidão. O blog não é uma ferramenta. É mais do que isso. É um espaço para exercer a literatura em estado bruto. E também atualização. Vai que eu escreva um texto e pense "ah não tá tão bom assim" e vá lá mudar. Eu sempre tive um sonho, como jornalista, de ser meu próprio editor. No blog, que é um espaço mais de crônica, eu faço minhas reuniões de pauta comigo mesmo.

DC - Em que momentos você costuma escrever no blog?

Carpinejar- Sempre de manhã. Chega a ser doentio. Eu faço a lista daqueles lugares comuns que podem ser desfeitos, ou seja, aquela agulhada própria da crônica. A crônica vai desfazer um condicionamento. A crônica acorda assuntos dorminhocos. Eu tenho uns quatro ou cinco temas e discuto comigo mesmo qual vai ser a crônica do momento. Hoje (terça-feira) estou pensando em escrever uma crônica sobre aquela mentira de que quem volta das férias fica mais disposto. Toda vez que eu volto de férias, eu não volto disposto. Eu volto com raiva do trabalho, eu volto com vontade de pedir demissão. Você percebe que tudo que você faz é meio inútil. Eu demoro muito tempo pra ficar disposto.

DC - Você também reproduz material que sai na imprensa.

Carpinejar - Eu sou um provador de roupas, sou vários personagens. Sempre tento chamar a atenção para aspectos que podem ser trabalhador por outras pessoas e agentes culturais nas suas cidades. E também tem a questão do "persona". Quanto mais eu me mostro mais eu me guardo. Eu sempre digo que se você quer guardar um segredo, conta. Porque, aí, você não vai ser prisioneiro dos segredos. Eu conto meus segredos e muitas vezes os misturo com a ficção.

DC - E a idéia do consultório poético?

Carpinejar - Eu parto do princípio que onde você não espera encontrar um poeta, eu vou estar. Eu sou um terrorista. Você imagina que um poeta vai responder dúvidas amorosas? Não! Mas lá estou eu. A poesia tem capacidade de dar humor. Eu recebo mais de 50 e-mails por semana de pessoas que pedem um norte, e evidentemente como um poeta eu dou o sul. As pessoas estão procurando mais atenção, audição, elas querem ser ouvidas. Acho muito importante esse consultório poético pela aproximação, pela empatia. O blog foi meu auditório. Agora eu falo sem parar.

Publicado no jornal Diário Catarinense, caderno Variedades
Florianópolis (SC), 11/10/07, Edição nº. 7853
Leia a matéria na íntegra de KARINE RUY no caderno Variedades.
Para acessar o blog do Poeta Carpinejar acesse AQUI!

09 outubro 2007

Histórias ZEN

O Sonho

Certa vez o mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta.

Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, uma pessoa novamente.

Mas então ele pensou para si mesmo:

"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha em ser um homem?"

+ + +

Isso também passará

Um praticante foi até o seu professor de meditação, tristemente, e disse: "Minha prática de meditação é horrível! Ou eu fico distraído, ou minhas pernas doem muito, ou eu constantemente fico com sono. É simplesmente horrível!!!!"

"Isso passará," o professor disse suavemente.

Uma semana depois, o estudante retornou ao seu professor, eufórico: "Minha prática de meditação é maravilhosa! Eu sinto-me tão consciente, tão pacífico, tão relaxado, tão vivo! É simplesmente maravilhoso!!!!!

"O mestre disse tranqüilamente: "Isso também passará."


Outras Histórias de ZEN BUDISMO são encontradas AQUI

06 outubro 2007

Pensamento de Bakunin

Do anarquista russo do século 19, Mikhail Bakunin (1814-1876):


"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada.

Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo.

Quem duvida disso não conhece a natureza humana."


Leia mais sobre Mikhail Bakunin - AQUI!

04 outubro 2007

Madre Teresa de Calcutá

Pintura de Luciana Teruz


Muitas vezes o povo é egocêntrico, ilógico e insensato.
Perdoe-o assim mesmo.

Se você é gentil, o povo pode acusá-la de egoísta, interesseira.
Seja gentil assim mesmo.

Se você é uma vencedora, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesta e franca, o povo pode enganá-la.
Seja honesta e franca assim mesmo.

O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz, o povo pode sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje, o povo pode esquecê-lo amanhã.
Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.

Veja você que, no fim das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e o povo.


Madre Teresa de Calcutá

28 setembro 2007

NO POEMA

Pintura de Monet


NO POEMA

No poema ficou o fogo mais secreto

O intenso fogo devorador das coisas

Que esteve sempre muito longe e muito perto.

+++

REGRESSAREI

Eu regressarei ao poema como à patria à casa

Como à antiga infância que perdi por descuido

Para buscar obstinada a substância de tudo

E gritar de paixão sob mil luzes acesas


Sophia de Mello Breyner Andresen



Obrigado
Hay por me fazer retornar à casa
e mais uma vez ao poema,
o que para mim são a mesma coisa.

25 setembro 2007

Poemas de MARIO QUINTANA

Imagem do Blog Mario Quintana

BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

+++

DA FELICIDADE
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

+++

DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…

+++

DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

+++

DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?


MARIO QUINTANA

23 setembro 2007

É Primavera: arrisque-se!


Rir é correr o risco de parecer um tolo.

Chorar é correr o risco de parecer sentimental.

Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento.

Expor os sentimentos é arriscar a expor-se a si mesmo.

Expor suas idéias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.

Amar é correr o risco de não ser amado.

Viver é correr o risco de morrer.


Ter esperanças é correr o risco de se decepcionar.

Tentar é correr o risco de falhar.

Os riscos precisam ser enfrentados, porque o maior fracasso da vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada e nada é.

Ela pode evitar o sofrimento e a dor, mas não aprende, não sente, não muda, não cresce ou vive. Presa à sua servidão, ela é uma escrava que teme a liberdade. Apenas
quem arrisca é livre.

Não é porque as coisas são difíceis que não nos arriscamos; é porque não nos arriscamos que elas se tornam difíceis."

SÉNECA - Filósofo e orador romano que viveu entre 4aC e 65dC
Leia um pouco sobre Séneca AQUI

16 setembro 2007

Agenda Cultural de Setembro

Livros à Vista!
Estamos no mês da XIII INTERNACIONAL BIENAL DO RIO DE JANEIRO. O Evento, que começou no dia 13/9, vai até o dia 23/9, no Riocentro.

O excelente blog LITERATUS, fez uma agenda das várias atividades da BIENAL DO RIO. Está tudo AQUI!

Salve a Poesia!
Eu tenho lido sobre muitas atividades culturais dedicadas à poesia, em setembro, acontecendo na cidade do Rio de Janeiro. Então, resolvi publicar alguns eventos que vão acontecer durante este mês e merecem DESTAQUE:

- Dia 18/9 (terça-feira), às 20h30 no Canecão, RJ

Parem de falar mal da rotina não é um espetáculo convencional onde uma história é contada. Este espetáculo é um modo de vida, é uma visão de existência. É a maneira com que Elisa Lucinda, a atriz, roteirista e diretora da peça consegue expressar sua urgência e inquietude na busca interminável da liberdade de se poder viver plenamente, sem os famosos cárceres que nós mesmos nos impomos.

Acesse AQUI o site Escola Lucinda de Poesia Viva e veja outras atividades da Escola da Poetisa.

* * *


Dois eventos terão a presença do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar no Rio de Janeiro:

- Dia 23/9 (domingo), às 19h30, performance e leituras ao lado de feras no CINEMATHÈQUE JAM CLUB (Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo - RJ - 21 2539-0216)

- Dia 24/09 (segunda), às 18:30 no centro, autografando seu livro "Meu Filho, Minha Filha" na Escola Superior de Magistratura do Rio de Janeiro.


Cultural EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro

Avenida Erasmo Braga, 115/4º andar, Centro – RJ
Tels. (21) 3133- 3366 / 3133-3368
Clique AQUI para ver a Agenda da Primavera:

Todos os eventos da EMERJ são gratuitos e abertos ao público em geral.

10 setembro 2007

XX - O Tejo é mais Belo

Foto de Tolga Belmeck

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Poema de Alberto Caeiro - Heterônimo de Fernando Pessoa

01 setembro 2007

Velha História


Um dia, ao pescar na beira de um rio, um homem pega um peixe.

A partir de um gesto de afeto do pescador,

os dois desenvolvem uma linda amizade

que é admirada por todos na cidade.

Do poema de Mario Quintana.



video



Este e outros Curta-Metragens

são encontrados no site: PORTA CURTAS

29 agosto 2007

A VIDA

Foto doada há muito tempo... pelo amigo Hay


Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho,
algo a ser ultrapassado antes de começar a viver,
um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.

Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos
eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe
um caminho para a felicidade.

A felicidade é o caminho!

Assim, aproveite todos os momentos que você tem.

E aproveite-os mais se você tem alguém especial para
compartilhar, especial o suficiente para passar seu
tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.

Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
Até que você volte para a faculdade;
Até que você perca 5 quilos;
Até que você ganhe 5 quilos;
Até que você tenha tido filhos;
Até que seus filhos tenham saído de casa;
Até que você se case;
Até que você se divorcie;
Até sexta à noite;
Até segunda de manhã;
Até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
Até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
Até o próximo verão, outono, inverno;
Até que você esteja aposentado;
Até que a sua música toque;
Até que você tenha terminado seu drink;
Até que você esteja sóbrio de novo;
Até que você morra
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que

AGORA MESMO...

Lembre-se:
"Felicidade é uma viagem, não um destino".

HENFIL


Aumenta o som que é Legião Urbana...

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10 agosto 2007

LEGADO

Pintura de Pablo Picasso


Eu quero o delírio.
Eu sou assim.
Não pretendo a integração, mas a abertura e a busca.
Encontrar pode ser impossível ou desinteressante.
Quero o pressentimento: comprimir a tela do computador e explodir o ponto e arquear o contorno varando os limites que a vida há de preencher e o sonho tornará possível.

Quero o delírio que faça as utopias virem sentar-se
na minha varanda e escrever no meu computador
quando a Razão estiver cansada,
quando a técnica parecer frívola,
ou quando eu estiver descrente.
Posso lhes dizer que somos muitos: em cada um de nós outros esperam apenas o momento de saltar fora, tirar a máscara e revelar o que talvez nos amedronte.
E diremos: - Mas isso, isso aí, também sou eu?

Preciso admitir que a ambivalência nos salva de morrermos na poeira da mesmice. Também admito que seria mais fácil ser sempre o mesmo, seria mais doce levantar a cada manhã sem o conflito e morrer enfim sem ter jamais duvidado.
Mas não é tão simples. Desculpem mas não somos só isso.
Posso falar por mim ao menos, esta que escreve de um jeito e vive de outro, pensa de um modo mas faz diferente, tendo a marca da incoerência na testa e no coração a miragem da explicação para todos os desencontros.

Escuto o meu interior, onde personagens e narrativas aguardam que eu lhes confira a sua falsa realidade. Não falo de personagens e frases apenas, mas da consciência que procura motivo e sentido. Estou bem acompanhada, comigo estão meus irmãos, gente da minha raça, todos os que entendem que inventar ou constatar não faz a menor diferença. Somos os doidos, os palhaços, os atores de nossa própria vida: escrevemos com sangue - nas paredes, nas páginas e nas telas dos computadores: tudo só existe na medida em que o tiramos das nossa tripas e parimos do Nosso Sonho.

Mas também sou uma mulher do meu tempo, e dele quero dar testemunho do jeito que posso: na elaboração das minhas fantasias, mas igualmente escrevendo sobre a dor e perplexidade, sobre a doença e a morte, a palavra na hora errada e o silêncio na hora em que teria sido melhor falar - mas a gente não sabia. E escrevo sobre sermos responsáveis e inocentes em relação ao que acontece e ao Legado que deixamos. A ambivalência que atormenta, por outro lado levanta a poeira da resignação - e faz aparecer o nosso rosto.
E nos salva.

Este texto faz parte do livro PENSAR É TRANSGREDIR, de Lya Luft.

04 agosto 2007

A noite na Ilha


Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.


Pablo Neruda


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20 julho 2007

FELIZ DIA DO AMIGO!

Fotografia: ©Robert Doisneau

"Amigo é aquela pessoa com quem conversamos sem reservas,
independente da hora ele sabe oferecer o aconchego do seu coração sem pedir nada em troca, e quando ele precisa sabe que pode fazer o mesmo sem objeção, não importa o tempo que estejam distante fisicamente, amizade é irmã do amor e não tem cara, tem reciprocidade, afetividade, respeito, carinho, confiança e alegria.

Amigo é aquela pessoa que nos diz o que acha ser correto, mesmo não sendo o que gostaríamos de escutar, más sabe respeitar a decisão do outro sem censuras.

Amigo nos avisa do perigo quando não conseguimos enxergar, sem contrapor nas decisões tomadas.

Amigo sabe dar e receber o ombro amigo sem pré-requisitos, ele sabe ouvir, tanto quanto escutar... Amigo naturalmente se comporta com aceitação mil e ameaça zero.

Não existe escola para formação de amigos, eles por si já nascem aptos, por isto não impomos regras dentro de uma amizade, elas se compatibilizam sem invasões, unindo os verdadeiros amigos, sem maldades, sem segredos, sem interesses, a felicidade de um, é a felicidade do outro.

Sem esforço sabemos distinguir nossos amigos hoje te procurei simplesmente para dizer:

Estou feliz porque te amo meu amigo.
És muito importante para mim."


Desconheço a Autoria

08 julho 2007

Gentileza

Desenho de Pablo Picasso

Gentileza é quando não pensamos se é patético ou não. Gentileza não é algo obrigado. É espontâneo como procurar a luz no inverno.

Não pensamos em recompensa ou retribuição.

Tudo que é feito com dedicação. Inclusive gestos simples como dobrar a roupa de quem amamos ou recolher os chinelos ao redor dos móveis. Eu amo colocar o colar em minha mulher. Lentamente, deixar que o colar se aquiete nos seus seios. Ou somente começar a comer quando ela começa. Não é um hábito, é uma necessidade.

A cena mais comovente de gentileza foi protagonizada por um casal de vizinhos. No meio do vaivém de uma segunda-feira, no centro da cidade, ele se ajoelhou no meio da calçada para amarrar os sapatos dela. Ela não pediu, sequer fez alguma menção com o rosto. Discretamente, amarrou o buquê de seus cadarços. Em seguida, a mulher soltou os cabelos para poder voar melhor de mãos dadas com seu marido.


Fabrício Carpinejar

Depoimento para o Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba/SP - 07/7/07



Este post traz um selinho porque gostaria de aproveitar a circulação de prêmios e selos pelos blogs, da qual me sinto feliz em participar, incentivando essa imensa troca de carinho, a qual me lembra um gesto, a GENTILEZA.



Eu vi o selo no blog da amiga Mônica Montone e logo depois li o belo texto acima no blog do Fabrício Carpinejar.

Como eu sou admiradora do Profeta Gentileza resolvi colocar este selinho aqui e publicar o texto do Fabrício, que me remeteu a essa pessoa admirável.

GENTILEZA é uma das ações que faz muito bem, tanto para quem a pratica como para quem a recebe. GENTILEZA GERA GENTILEZA.


Esta música perfeita linda e perfeita para o tema
foi sugestão do amigo Gabriel, que escreve no blog


12 junho 2007

FAZ UMA CHAVE

Foto de Robert Doisneau

de Eugénio de Andrade

Faz uma chave, mesmo pequena,
entra na casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.

Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.

Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.

(BRANCO NO BRANCO)

10 junho 2007

João e Maria

Pintura de Marc Chagall

de Sivuca e Chico Buarque

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock
Para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país


Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido


Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim


Intérpretes: Nara Leão e Chico Buarque

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25 maio 2007

Mais Uma Vez


Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está
do mesmo lado que você
mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior
de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Nunca deixe que lhe digam
que não vale a pena
acreditar num sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...

Composição: Renato Russo / Flávio Venturini

Intérprete: LEGIÃO URBANA


20 maio 2007

Você sabe amar?


Estou aprendendo a aceitar as pessoas, mesmo quando elas me desapontam.

Quando fogem do ideal que tenho para elas, quando me ferem com palavras ásperas ou ações impensadas.

É difícil aceitar as pessoas assim como elas são, não como eu desejo que elas sejam.
É difícil, muito difícil, mas estou aprendendo.

Estou aprendendo a amar.

Estou aprendendo a escutar, escutar com os olhos e ouvidos, escutar com a alma e com todos os sentidos.

Escutar o que diz o coração, o que dizem os ombros caídos, os olhos, as mãos irrequietas.

Escutar a mensagem que se esconde entre as palavras corriqueiras, superficiais; descobrir a angústia disfarçada, a insegurança mascarada, a solidão encoberta.

Penetrar o sorriso fingido, a alegria simulada, a vangloria exagerada.

Descobrir a dor de cada coração.

Aos poucos, estou aprendendo a amar.

Estou aprendendo a perdoar. Pois o amor perdoa, lança fora as mágoas, e apaga as cicatrizes que a incompreensão e insensibilidade gravaram no coração ferido. O amor não alimenta mágoas com pensamentos dolorosos.

Não cultiva ofensas com lástimas e autocomiseração. O amor perdoa e esquece, extingue todos os traços de dor no coração.

Passo a passo estou aprendendo a perdoar, a amar.

Estou aprendendo a descobrir o valor que se encontra dentro de cada vida, de todas as vidas. Valor soterrado pela rejeição, pela falta de compreensão, carinho e aceitação, pelas experiências vividas ao longo dos anos.

Estou aprendendo a ver nas pessoas a sua alma e as possibilidades que Deus lhe deu.

Estou aprendendo. Mas como é lenta a aprendizagem.

Como é difícil amar. Todavia, tropeçando, errando, estou aprendendo.

Aprendendo a pôr de lado as minhas próprias dores, meus interesses, minha ambição, meu orgulho quando estes impedem o bem-estar e a felicidade de alguém.

Como é duro amar. Eu estou aprendendo.

E você? Sabe amar?


Autor desconhecido

11 maio 2007

As Mãos

Escultura de Rodin

Com as mãos se faz a paz se faz a guerra
Com as mãos tudo se faz e se desfaz.
Com as mãos se faz o poema - e são de terra
Com as mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com as mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que no vento: verdes Harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguem pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a Liberdade.

Poema de Manuel Alegre

PS: Este e outros poemas têm sido enviados para mim,
por uma querida amiga que achou-me na net:
ANA BARROCA.

Queria que ela soubesse como sua colaboração
e troca de e-mails tem sido preciosa para mim.
Beijos e obrigada de coração, amiga Ana.

Tocando WHAT A WONDERFUL WORLD

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06 maio 2007

VOLTE

Fotografia: ©Robert Doisneau

Volte a acreditar em seus sonhos dourados de criança.

Nas fantasias que dançaram em sua cabeça de menino.

No grande valor das pequeninas coisas.

Volte a acreditar na essência da vida

Na ilimitada capacidade de fazer, construir e realizar.

Volte a acreditar mais nos homens, em si mesmo.

No hoje e na felicidade.


Autor desconhecido

29 abril 2007

Poema de um homem só

O Pensador de Rodin


Sós,
Irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
todos passam por nós
e ninguém nos conhece.
Os que passam e os que ficam
todos se desconhecem.
Os astros não se explicam:
arrefecem.

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de dentro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estemece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os labios, dão os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como um abraçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concentro,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
esta dar-se, este entregar-se,
descobrir-se e desflorar-se
é nosso, de mais ninguém.

Poema de António Gedeão (Pseudónimo de Romulo de Carvalho).
Publicado em "Poemas escolhidos", Antologia organizada pelo Autor.

Sites sobre o autor:

27 abril 2007

PARADOXO


A dor que abate, e punge, e nos tortura,
que julgamos as vezes não ter cura
e o destino nos deu e nos impôs,

- é pequenina, é bem menor, é até
já não é dor talvez, dor já não é
dividida por dois!

A alegria que as vezes num segundo
nos dá desejos de abraçar o mundo
e nos põe tristes sem querer, depois,

- aumenta, cresce, e bem maior se faz,
já não é alegria é muito mais,
dividida por dois.

Estranha essa aritmética da Vida
nem parece ciência, parece arte,
compreendo a dor menor, se dividida,
não entendo, eh aumentar nossa alegria
se essa mesma alegria se reparte!


J. G. de Araújo Jorge

21 abril 2007

Não quero ver meu lar emparedado...


Não quero ver meu lar emparedado,
nem minhas janelas calafetadas.

Quero sentir as culturas de todas as terras
circulando nele em máxima liberdade.

Repugna-me, porém, que o sopro de algumas delas
me desloque das raízes.

Minha religião não é o credo da clausura.

Comporta em seu seio a mais humilde das criaturas de Deus.

Mas é impermeável a toda a arrogância e a todo o preconceito,
seja ele de raça, religião ou cor.

©Mahatma Gandhi

12 abril 2007

* Todo dia é menos um dia*



Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
refletir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber
Ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso,
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer:
- Desculpe, eu errei!
Para dizer:
- Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
Para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
E já não há mais como encontrar
onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;
estaremos seguindo um caminho, que jamais
nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem;
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir
interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

* * *

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo"
Fernando Pessoa

29 março 2007

BAMBU CHINÊS




Depois de plantada a semente deste incrível arbusto não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto o lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.

Durante 5 anos todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e Horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º. Ano o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Um escritor de nome Covey escreveu: muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês.

Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses, ou anos.

Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o Seu 5º Ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava.

O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos, de nosso trabalho, especialmente de um projeto fabuloso que envolve mudanças... de comportamento, de pensamento, de cultura e de sensibilização.

Devemos sempre lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.

Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a persistência e paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos!!!

É preciso muita fibra para chegar às alturas e ao mesmo tempo muita flexibilidade para se curvar ao chão.