08 dezembro 2007

VERDADE

Fotografia do Amigo: ©Rogério Felício

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil,
E os meios perfis não coincidiam.
.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

A foto deste post e outros belos clicks são revelados AQUI!

3 comentários:

Ch disse...

Inicialmente, merece elogios a foto de autoria do Rogério, detalhe mais que especial para compor a postagem, junto ao poema de Drummond.
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A idéia das meias verdades chega a incomodar, por se tratar de uma prática tão humana. Porque tudo que criamos em pensamento e personificamos em palavra passa a existir e a ter vida própria, muitas vezes, como diz o Poeta, órfão de sua metade intrínseca.
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E o poema terminando comprovando a nossa eterna incompletude.
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Bela postagem, Carol.
Receba o abraço do
Carlos

Rogério Felício disse...

- Primeiramente gostaria de agradecer seus elogios,elogios esses que caem como chuva que germinan cada vez mais minha sensibilidade fotografica.
Obrigado por colocar minha foto diante de um belo texto de Drummond.

- Essa meia verdade que acompanha o ser humano em sua existência.
Acho que cada uma tem sua beleza,depende muito da ocasião e do ponto de vista de cada um.
E cada um segue conforme optou pela sua meia verdade!


*beijoks

Marilac disse...

Oi,Carol,
Belo post! Perfeita essa foto do Rogério Felicio para esse inquietante poema do Drummond.

As meias verdades as vezes geram uma confusão...interpretações erradas! É preciso captar a verdade inteira para a percepção correta .Mas como é dificil!Nem sempre nos mostramos por inteiro, os outros também não..

Então como bem diz o poema ,cada um opta segundo seu capricho, ilusão e miopia.É uma escolha , mais uma entre tantas na vida.


Bjs
com carinho,
Marilac