10 setembro 2007

XX - O Tejo é mais Belo

Foto de Tolga Belmeck

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Poema de Alberto Caeiro - Heterônimo de Fernando Pessoa

3 comentários:

Anônimo disse...

Carol!
Assim eu o conheci, apenas a aldeia não era minha, muito menos o país. Mas senti algo estranho ao vê-lo pela primeira vez, senti como parte da minha aldeia também, alguém conhecido... um velho, velho amigo...

Mas com diz Fernando Pessoa: “O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.”

Saudades!

Lindas as suas fotos... Adorei.
Brigado pelo lindo comentário sobre Eugénio de Andrade. Fiquei sériamente em dúvida com a imagem, no fim escolhi algo sem pontes ou águas em primeiro plano, mas sim uma imagem mais subjetiva, que pudesse até lembrar da própria infância a que se refere:
...
Olhas o rio
como se fora o leito
da tua infância:
lembras-te da madressilva
no muro do quintal,
dos medronhos que colhias
e deitavas fora,
dos amigos a quem mandavas
palavras inocentes...

Beijos
Hay

Cátia disse...

E tão maravilhoso e poder simplesmente observar o rio.
Imaginar de onde vem.... e pra onde vai.

Quanto a Casa Sonolenta, AUDREY WOOD


Era uma casa sonolenta, onde todos viviam dormindo. Quem diria que uma simples pulguinha saltitante pudesse acabar com todo o sossego num instante!

Acredito que vc vai gostar!

Marilac disse...

Oii Carol,

Poesia, Tejo, rio , aldeia, Portugal e Fernando Pessoa nem preciso dizer que li deliciada..

Linda essa foto com vista para o rio..sombra de arvores, silencio ,parece um local perfeito para se ficar a comtemplar esta paisagem.

Bela imagem poética a de um rio cuja extensão se perde no horizonte....

Bjs e um excelente final de semana
Marilac