23 janeiro 2009

O meu olhar é nítido como um girassol

Fotografia: ©Carol Timm

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…

©Alberto Caeiro

Em "O Guardador de Rebanhos"

10 comentários:

Mel disse...

Carol,
fiquei curiosa para conhecer o teu jardim, pois sempre trazes fotos de flores diversas!

Beijos e lindo fim de semana!

Maria disse...

As fotos são lindas,assim como quando fotografa flores.

O Poema lindo não conhecia,hoje com a carol descobri um novo lindo poema, obrigado!

beij. com carinho...M.M.G.

adelaide amorim disse...

Caeiro fez os poemas mais bonitos de Pessoa, eu acho.
Carol, deixei um meme lá no Umbigo pra você. Ainda estou acertando os endereços de link, falta a Casa de Palavras, mas a de Leitura já tá lá./
Beijoca

caetano disse...

Sempre durmo melhor com os poemas do seu blog...boa noite... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZzzzz
zzz
zzzz
zz
caetano

Fernanda Cozendey disse...

adoro o caeiro *-*
beijos

Lord Broken Pottery disse...

Carol,
Meu poeta favorito!
Beijo

Carlos Henrique Leiros disse...

Carol;
.
O que dizer de Caeiro - o mais singelo dos heterônimos de Pessoa - senão deixar expresso o reconhecimento às mais belas pátinas da poesia portuguesa, nossa identidade também, e nossa herança.
.
Uma escolha feliz sob todos os aspectos.
Abraço do
Carlos

Vieira Calado disse...

Este homem guardava bem o seu gado...


Bjs

Rê d'Ávila disse...

Lindooooooooo....
Não conhecia..amei...
Bjssssssss
Rê.

Adriana disse...

Lindo Carol!!!! Que poema lindo esse! Só vc mesmo!!!

Parabens minha amiga

Adriana