11 junho 2011

O VISITANTE

Imagem do filme: "O visitante"

Bem disse ele então você é o Lee. Estava de pé à porta.
Sim eu disse. Não o conhecia. Sou o Lee.
Queria conhecer você disse ele. A Jackie foi quem me falou de você.
Ah eu disse. Entre.
Ele entrou e sentou-se na cama.
A garota lá de Rockland eu disse. Como ela está?
Bem disse ele. Sorriu. Está mesmo muito bem. Ela gosta daquilo lá disse ele.
Que bom eu disse. Ele me metia medo. Ouça eu disse sobre o que é que queria me falar?
Foi lá que eu conheci a Jackie disse ele. Em Rockland. Terapia ocupacional. Fizemos umas coisas.
Ah eu disse.
Você escreve poesia disse ele. Olhou para mim.
Sim eu disse.
A Jackie me mostrou algum poema seu disse ele. Acho que você lhe mandou um junto com uma carta.
Foi? eu disse. Não me lembrava.
Ele disse sim você mandou. Depois ele disse porque é que você escreve poesia?
Eu não disse nada. Tinha deixado de pensar nisso há muito tempo.
Eu costumava escrever poesia disse ele.
É? eu disse.
É disse ele. Costumava escrever dia e noite.
E porque parou? Eu disse. Não sabia mais o que dizer.
Queimei tudo disse ele. Antes de ir para Rockland.
Ah eu disse.
A Jackie me passou o seu endereço ele disse. Estava no envelope.
Depois ele disse não consigo entender porque é que alguém faz seja lá o que for.
Eu disse porra cara alguma coisa é preciso ser feita. Disse isso bem alto.
Ficou ali sentado um pouco. Estava escurecendo. Acendi todas as luzes da casa.
Depois eu comecei outra vez disse ele.
É? eu disse.
É disse ele. Às vezes tem que ser. Não posso evitar. Depois ele disse até agora ainda não queimei nada.
Muito bem eu disse. Pensei que ainda estava falando de poesia. Gostaria de ler alguma coisa.
Talvez eu pare quando arranjar um emprego disse ele. Você acha
que sim?
Não disse nada.
Espero que sim disse ele é tão estúpido escrever.
Gostaria realmente de ver os seus poemas eu disse.
É muito amável da sua parte disse ele. Eu gostei muito da sua poesia. Jackie me mostrou.
Levantou-se e vestiu o casaco. Ontem escrevi bastante disse ele. Quatorze horas seguidas.
Foi até à porta. Penso que vou parar logo logo disse ele ou então vou queimar tudo de novo. E meio que riu.
Abri-lhe a porta.
Talvez eu queime tudo outra vez disse ele.
Traga-me alguma coisa qualquer dia eu disse. Gostaria de ler.
Ele estava no patamar mas parou e olhou para mim.
Gostaria realmente de ler alguma coisa sua eu disse.
Sim disse ele.


©Diane Di Prima


3 comentários:

Jorge disse...

Parece ser um filme interessante!

Leia na Tela disse...

Descobri seu blog agora e já virei fã.

Abraços e parabéns!

Márcia Paredes Nunes disse...

Gostei do poema. Seria possível saber o nome do tradutor/a? Obrigada, Márcia