25 setembro 2008

Canção da tarde no campo

Fotografia: ©Luis Zilhao

Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha.

©Cecília Meireles

4 comentários:

Marilac disse...

Carol,
Lindo esse poema, ele tem um ar de solidão e saudade mas ao mesmo tempo percebo uma certa força e uma ousadia para transformar a situação e construir um caminho para a felicidade!
Como quem está aprendendo a ser dona da sua vida.

bjs
Marilac

obs: imagem linda, campos floridos assim me encantam sempre.

Anônimo disse...

Lindo Carol! A cada post vc se supera e que poema lindo....muitos significados!!!!!

Parabens

Beijos

Adriana

Adriana disse...

Lindo Carol! A cada post vc se supera e que poema lindo....muitos significados!!!!!

Parabens

Beijos

Adriana

Ana Jácomo disse...

É claro, querida. :) Para mim é uma alegria estar, também dessa forma, nessa sua casa tão bonita.
Um beijo pra você,
Ana