30 janeiro 2008

Os versos que te fiz

Pintura: ©Renoir

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

©FLORBELA ESPANCA

6 comentários:

Marilac disse...

Querida Carol,
Amo Florbela Espanca...
Ela tem um jeito tão intenso de traduzir os sentimentos em palavras :

"Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei.Guardo os versos mais lindos que te fiz"


Bjs
com carinho,
Marilac

Ela disse...

AS VEZES.. OS VERSOS, BEIJAM MELHOR DO QUE OS LÁBIOS.
LINDO!

Rogério Felício disse...

Que triste amar e não beijar...
Renoir é fantástico...

beijos ;)

Grazi . disse...

A pintura caiu como uma luva e o poema é fantástico!

P.S. Em relação ao meu post, o lugar fica perto da Laguna dos Patos, mas não é. Pertence à Tainhas, que é distrito de São Francisco de Paula.

Um beijo,

Grazi.

Ch disse...

Olá, Carol;
.
Eis-me de volta ao Casa de Leitura, já maravilhado com a escolha do poeta, uma verdadeira perfeição assinada por Florbela Espanca.
.
Voltei, por fim, das férias e dos feriados prolongados. Agora, é levar adiante o Almofariz. Aguardo visitas suas.
.
Um forte abraço do
Carlos

Edna Battaglini disse...

Olá Carol

que prazer deparar-me com a encantadora e sofrida Florbela aqui,adoro essa poetisa portuguesa, tenho aqui um livro interessante de Florbela intulado:
"Os melhores poemas de Florbela Espanca"
editora Global
org. por Zina C. Bellodi
um desses livros necessários no nosso acervo (dos apreciadores das boas escritas)


como entender as almas poéticas, os poetas e afins?
vejamos Florbela o que diz nesse poema:


Poetas


Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender por poetas
E eu arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca


estamos inseridos ai,o que acha?
abraços,
muito gratificante sua visita,é sempre bem vinda.