09 outubro 2006

HORA

Foto de Armildo Schneider

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

2 comentários:

adelaide amorim disse...

Hoje vim conhecer também esta sua casa. E gostei, muito. Um beijo.

Marilac disse...

Oii, Carol
Estava passeando e me emocionei com esse poema..!
Que lindo esse verso: E dormem mil gestos nos meus dedos...

bjs
Marilac