12 novembro 2010

FELICIDADE


Fotografia: ©Cidinha Madeiro
 
 
É tão cedo que quase não há luz do lado de fora.
Estou de pé junto à janela.
Tenho na mão uma xícara de café,
e na cabeça aquilo que por essas horas
costumamos confundir com pensamentos.
 
Então vejo o garoto com seu amigo
chegando pela rua
para entregar o jornal.
 
Estão com gorros e pulôveres,
e um deles transporta uma mochila no ombro.
Parecem tão felizes
que nem abrem a boca, estes dois meninos.
 
Creio que, se pudessem,
andariam de mãos dadas.
É tão cedo de manhã, e eles
estão fazendo juntos o trabalho.
 
Aproximam-se lentamente.
O céu só agora começa a se iluminar,
embora a lua ainda se incline sobre a água.
 
É tanta beleza que, por um minuto,
a ambição ou a morte, e mesmo o próprio amor,
nada têm a ver com tudo isto.
 
Felicidade vem sem que a chamem
e transcende qualquer argumentação
matutina a respeito.
 
©Raymond Carver

2 comentários:

Jorge disse...

Lindo! Parece que os meninos saíram do barco e foram pela rua fora!

Carol Timm disse...

Jorge,

Para mim, esse poema abre espaço para muitas possibilidades, feito o vento...

Que bom que correu solto com os meninos do poema!

Abs,
Carol