15 junho 2008

TESTAMENTO

Fotografia: ©Reuters

Deixo-te
os olhos do mar
e o instante
que se ergue,
sustentando luz;

a singeleza
das flores,
a melodia dos ventos
e as palavras
que, em tempo,
não te puderam ser ditas.

A lua brilhará para ti
no absoluto silêncio
das linguagens eternas.

E teu olhar,
transcendendo as linhas do
horizonte,
repousará no recôndito espaço imaginado
desses versos que te faço.

©Rose

Do lindo blog... Eternessências


Ceumar - Cantiga

12 junho 2008

Moro na possibilidade

Pintura: ©Iman Maleki

Moro na possibilidade
Casa mais bela que a prosa,
Com muito mais janelas
E bem melhor, pelas portas

De aposentos inacessíveis
Como são, para o olhar, os cedros,
E tendo por forro perene
Os telhados do céu

Visitantes, só os melhores;
Por ocupação, só isto:
Abrir amplamente minhas mãos estreitas
Para agarrar o paraíso

©Emily Dickinson

Em "Poemas Escolhidos"


10 junho 2008

Imagem

Fotografia: ©Guilherme Limas

Quem de repente o susto de um encanto me impõe,
um tão súbito encanto
que é espanto e som,
quem meu nome murmura
e de repente muda
todo o tom de uma tarde
com suas voz que arde,
quem suas horas de ouro
vem de passo me abrir
não és tu, com certeza.
É o eterno de ti.

©Renata Pallotini

Em “Chão de Estrelas”

Diana Krall - Autumn Leaves



05 junho 2008

Planeta Água

Fotografia: ©Egretta Garzetta

Planeta Água
Guilherme Arantes

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...

Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...

Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...(2x)

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...(2x)

01 junho 2008

Romance

Pintura: ©Toulouse Lautrec

Romance

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

©Guilherme de Almeida


SECRET GARDEN - Song From a Secret Garden



PS: Descubra um pouco mais de Guilherme de Almeida no RELEITURAS

28 maio 2008

TERNURA

Ilustração: ©Elivia Savadier

Compreende: não é a minha Ternura que te nego.
É antes, a casa que não é minha,
A liberdade que não me deram,
As horas que me arrancaram.
Minha Ternura, essa está intacta,
Ninguém a pode roubar.
É como a Casa que eu sempre sonhei,
Onde viveriam todos os Amigos,
Como a liberdade de andar pelas ruas sem tempo,
Como as horas da noite que eu guardo para os sonhos
Antes de dormir.

©Renata Pallotini

Em
“Chão de Estrelas”


Marisa Monte - Vilarejo

24 maio 2008

Não adormeças

Pintura: Autoria Desconhecida

Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.

©Maria do Rosário Pedreira

Em «A Casa e o Cheiro dos Livros»


16 maio 2008

Cores


Eu as coloquei meio por instinto
Para que aqueçam a morada
Façam de conta que o céu entrou

Cores
De um laranja de fim de tarde
Com barcos cinzas que acabaram de chegar
Cores
Que a menina ao piano quer fazer tocar no coração vermelho
Onde um mar azul e branco bate sem parar
Cores
Que possam abrigar meu desejo de uma morada de paz
Sonho de um lar que está sendo montado, pintado
Em cores que habitam meu coração
Cores
De minha infância colorida
Do quarto rosa das meninas

Verde da mãe e do pai
Sala azul dos domingos de frango amarelo

©Teresa Cristina Fraga de Oliveira


Esse poema é de uma amiga que mora longe, mas...
que ficou mais perto, depois que se abrigou na poesia.


12 maio 2008

MÃE


Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Eu ainda não fiz viagens
E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar.
Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!


Almada Negreiros (1893-1970)

11 maio 2008

Mãe...


Mãe do universo...
Mãe de todos...
Branca ou preta...
Pobre ou rica...
Sempre és mãe!

Mãe, tu estás sempre presente...
Em todos os momentos...
Seja de dor ou de alegria.
Mãe, querida mãe, sofrida...
Ignora as discriminações da vida.

Nesta terra de desamor...
Mãe é uma canção de amor...
Gravada no coração!

Mãe é carinho, mãe é flor...
Mãe é o resumo do amor maior!
Mãe, obrigado pela VIDA!!!

Sérgio Ricardo G. Tokarski

07 maio 2008

Girassol

Pintura: Claude Monet


Não, o coração que amou de fato, jamais esquece,
Mas continua amando até o fim,
Como o girassol volta para o seu deus, quando ele se põe,
O mesmo olhar que lhe dirigiu quando ele nasceu.

Thomas Moore (1779-1852)


O girassol certamente tem o direito de sentir-se altivo,
pois ele é, sem dúvida, a planta mais alta do jardim.
Seu tamanho, porém não é seu único trunfo, pois cada parte
da planta é utilizada de alguma forma: as sementes para
alimentação e fabricação de óleo e sabão: as folhas e talos,
para forragem e confecção de tecidos, e até mesmo como
substitutos de para o tabaco.

O nome do gênero, Helianthus, vem de duas palavras gregas,
helius, que significa "sol", e anthos, que quer dizer "flor".
Ele foi venerado como símbolo de sol pelos Incas do Peru
e, mais tarde, pelos índios Norte-americanos. Existe uma
lenda clássica de que Clytie, uma ninfa da água, foi transformada
em girassol depois de morrer de desgosto pela traição de Apolo,
o Deus-sol.

Entre outros nomes, incluem-se margarida-do-peru e sol-índio,
mas um dos melhores é mesmo "girassol", porque as
flores de fato viram suas cabeças para seguir o curso diário
do sol de leste a oeste.

A Liguagem das Flores


Este poema e texto é parte do lindo livro
que me foi um presenteado pela Tia Loanda,
que reencontrei em Brasília, dia 05/05/2008.